Queixas de violência contra idosos crescem 22% em MG

Assassinato de belo-horizontina, de 74 anos, é mais um caso no Estado

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A depressão por ver a mulher, de 74 anos, na cama e se alimentando por sonda teria sido o estopim para que o marido, de 78, a executasse asfixiada e se matasse em seguida, nesta terça-feira (11) à noite, em Belo Horizonte, segundo a Polícia Militar. O caso, que chocou vizinhos e familiares, é só mais um no universo de violência contra idosos no país. Somente em 2018, 5.379 mineiros com mais de 60 anos denunciaram ao governo federal ter sido vítimas de violações. Com essa média diária de 14 queixas, o Estado é o segundo mais violento para idosos no Brasil, atrás de São Paulo.

Os dados, divulgados nesta quarta-feira (12) pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), mostram as denúncias realizadas pelo Disque 100, um canal de comunicação da população com o governo. No Estado, houve uma alta de 22,8% nas queixas em 2018 frente a 2017, saltando de 4.374 para 5.379. O crescimento está acima da média nacional, que foi de 13,04%, ao passar de 33.133 para 37.454. “Apesar de altos, os números são só uma parte da realidade, porque muitos idosos sofrem em silêncio”, diz a presidente da Comissão Nacional do Idoso, Maria Luiza Póvoa Cruz.

E são inúmeras as formas de violações, como a psicológica, a física, o abuso financeiro e a negligência. Algumas delas chegam ao extremo da morte, seja por doenças associadas à depressão, seja por assassinato, segundo o “Manual de Enfrentamento à Violência contra a Pessoa Idosa”, do governo federal. “Estudos mostram que o sofrimento mental provocado por maus-tratos contribui para processos depressivos e autodestrutivos, por vezes levando ao suicídio”, diz o documento.

No caso do homicídio cometido pelo marido na capital, ainda não existem informações suficientes que possam revelar quais outras violências estavam associadas nessa relação. O que se sabe é que a idosa foi morta asfixiada no próprio quarto. Os corpos do casal foram encontrados pela filha e pelo genro deles.

Negligência é principal agressão

Apesar de a violência física ser a mais facilmente identificada, ela não é a que mais atinge os idosos em Minas Gerais. Na frente, segundo os dados divulgados pelo governo federal, estão situações mais difíceis de comprovar, como a negligência, as agressões psicológicas e o abuso financeiro e econômico, que é quando alguém retira recursos financeiros ou patrimônio dessas vítimas.

Este último, inclusive, tem se tornado mais comum por causa do alto índice de desemprego, conforme especialistas. “Grande parte dos idosos contribui para manter a família. Eles trabalham até o fim e, quando caem de cama, têm seus recursos administrados por terceiros, o que abre espaço para serem vítimas de golpe”, afirma a presidente da Comissão Nacional do Idoso, Maria Luiza Póvoa Cruz.

Outra parcela de idosos é forçada por pessoas próximas a tomar dinheiro emprestado em bancos, afundando-se em dívidas. “O crédito consignado, que dá condições especiais para aposentados, serve como atrativo para filhos, noras e genros. Isso é uma violência cada vez mais comum e que precisa ser denunciada”, afirma a advogada e vice-presidente do Instituto Brasileiro de Direito de Família, Maria Berenice Dias.

Essa necessidade de denunciar os abusos é lembrada no Dia Internacional de Conscientização e Combate à Violência contra a Pessoa Idosa, que será neste sábado (15).

O que o governo do Estado tem feito

No Estado

Procurada, a Subsecretaria de Estado de Direitos Humanos de Minas Gerais disse, em nota, que o Disque 100 encaminha casos de violência contra pessoas idosas para as redes de proteção e promoção de direitos dos municípios onde as vítimas residem e do Estado.

Ação

O Estado conta com o Sistema Integrado de Monitoramento e Avaliação em Direitos Humanos (Sima), que permite o acionamento de instituições para acompanhar a situação dos idosos vitimados.

2018

No ano passado, foram cadastradas 606 denúncias de violências contra pessoas idosas pelo governo do Estado no sistema integrado. As situações foram levadas para promotorias de Justiça e para os Centros de Referência de Assistência Social.

FONTE: Otempo

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