Exclusivo: as incríveis histórias da mágica reviravolta de Richarlison

Em entrevista ao Super FC, atacante falou sobre as dificuldades no início da carreira, a superação e sua ascensão meteórica

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Gabriel Pazini | @superfcoficial
17/06/19 – 08h02

Existem histórias que parecem fadadas a acontecerem de forma mágica e inesquecível. Histórias com uma reviravolta espetacular e emocionante para recompensar um esforço inacreditável.

Foi assim com Richarlison.

Cinco anos atrás, ele ainda buscava seu espaço no futebol. O garoto que limpou carros e vendeu picolé para ajudar a família e precisou ir morar com o tio para não precisar desistir do sonho do futebol, mudou sua vida e da sua família depois de um teste corajoso. Mesmo com medo após as falhas anteriores, saiu do interior do Espírito Santo e viajou para Belo Horizonte apenas com a passagem de ida para tentar a sorte no América. Excesso de confiança? Não. Pela falta de dinheiro.

O atacante, porém, superou o desafio. Três treinos foram suficientes para Richarlison provar seu enorme talento e ganhar a chance que tanto aguardou. E ele não desperdiçou. Em cinco anos, foi dos treinos sem chuteira nem tênis e com a barriga vazia para a elite do futebol mundial na melhor liga do mundo e com a titularidade e muito destaque na seleção brasileira.

Em emocionante entrevista ao SuperFC, uma das esperanças do Brasil para conquistar a Copa América falou sobre sua emocionante reviravolta e muito mais.

Confira:

Você tem sido um dos destaques do futebol inglês desde que chegou ao Everton. A sua vida mudou muito por causa da fama ainda maior na Europa do que quando estava no Brasil?

“Mudou muita coisa. Eu já posso ajudar a minha família um pouco mais. Já estou fazendo meu pé de meia. Vários jogadores me deram conselhos falando que a vida de jogador acaba rápido, então estou me cuidando e fazendo meu pé de meia. Já estou economizando, ajudando minha família, comprando casa e seguindo todos os conselhos que me deram.”

Lembrei de uma entrevista do Tévez, em que ele conta que a primeira coisa que ele fez quando recebeu um salário enorme no Corinthians foi comprar uma casa para a família, porque ele morava em uma região pobre na Argentina. O que você fez com seu primeiro grande salário?

“Quando eu ainda estava no América, eu disse que a primeira coisa que eu faria quando mudasse de vida seria comprar uma casa para o meu pai. Eu tinha dito na época que conseguiria até dezembro daquele ano e graças a Deus eu consegui. Eu fiquei muito feliz em ajudar meu pai, porque ele pagava aluguel e agora é mais tranquilo.”

O início de carreira é sempre complicado, né. Especialmente na época da base. Quais dificuldades você enfrentou na sua caminhada?

“Cara, muitas vezes eu ia treinar sem tomar café. Ia treinar de barriga vazia. Às vezes eu não tinha chuteira nem tênis para treinar, mas eu dava a minha vida. Na segunda-feira, eu corria 9km… Era difícil, mas eu nunca deixei de treinar. O esforço valeu a pena, mesmo em uma cidade tão distante dos clubes. Quando criança eu limpei carros e vendi picolé para ajudar minha família. Teve uma vez também que eu estava jogando uma pelada e, quando acabou a pelada e eu estava voltando para casa, na esquina de casa surgiram dois caras já apontando a arma para a minha cabeça dizendo que eu estava roubando a boca (ponto de drogas) deles. Eu e meus amigos falamos que não estávamos mexendo com isso, que a gente jogava futebol, e aí eles foram embora. Mas na hora eu fiquei muito assustado, porque estávamos em seis pessoas e o cara chegou apontando a arma na minha cabeça. Outra dificuldade complicada também… Tinha uma vez que eu não tinha para onde ir porque meu pai morava na roça e minha mãe estava casada com um cara que não gostava de mim. Eu não tinha para onde ir, porque se eu fosse para a casa do meu pai na roça eu não ia ter como treinar. Graças a Deus, um tio abriu as portas para eu morar na casa dele, e eu fiquei lá treinando até surgir a chance de fazer um teste no América. Meu treinador na época, o Reginho, de Nova Venécia (no Espírito Santo), me levou para fazer um teste lá no América e aí eu mudei minha vida.”

Como foi esse teste? Do que você se lembra? Ficou nervoso?

“Eu fiquei muito nervoso, cara, porque eu já tinha ido fazer testes no Avaí e no Figueirense e não passei, então estava nervoso, pensando que se eu não conseguisse passar já era, porque eu já tinha 17 anos, então já estava passando da hora de conseguir um clube. Mas eu fui confiante. Eu fui só com a passagem de ida. Não tinha a passagem de volta porque não tinha dinheiro. Aí eu fui com a mentalidade de que tinha que passar de qualquer jeito e depois de três treinos eu passei.”

Já caiu a ficha de que cinco anos atrás você ainda buscava seu espaço no futebol e hoje está na seleção e na melhor liga do mundo?

“Às vezes nem acredito nisso que estou vivendo. Foi tudo muito rápido. Eu nem tive base direito no América, porque joguei quatro jogos no sub-17 e no júnior. Quando chegou no profissional, eu joguei 24 jogos e fui para o Fluminense. Às vezes eu nem acredito que já estou na Inglaterra e na seleção. Às vezes eu me pego pensando que pouco tempo atrás estava largado em Nova Venécia e hoje estou na Inglaterra.”

Você jogou no time do Elton John. Agora está no time dos Beatles. Você gosta e chegou a conhecer músicas deles? Chegou a conhecer alguma das lendas da música?

“Conheci sim. Conheci o Elton John, porque um dia ele foi em um jogo do Watford e depois do jogo foi no vestiário e conversou com todo mundo. Dos Beatles não consegui conhecer ninguém ainda. Sei só da rua lá famosa que eles passaram, as pessoas sempre vão lá tirar foto. E eu sei que eles torcem para o Everton. É maneiro jogar no time desses caras. No Watford era Elton John, agora são os Beatles. Tô bem de torcedor (risos).”

Conhecia as músicas dele e dos Beatles? Gosta deles ou é mais de outro estilo?

“Não conhecia as músicas. Eu gosto mais de outro estilo (risos). Sou do morro lá em Nova Venécia-ES, então eu escutava só funk e pagode (risos). Hoje em dia eu sou mais tranquilo, fico mais em casa, saio pouco, então curto ficar em casa ouvindo um pagode sossegado.”

Uma coisa que não consigo imaginar é Elton John, Paul McCartney e Ringo Starr fazendo a dança do pombo (risos). De onde surgiu essa ideia?

“(Risos) Cara, eu tinha feito ela em 2014. Compartilhei na minha rede social, mas não deu muito ibope porque eu não tinha muitos seguidores (risos). Mas aí no ano passado eu resolvi fazer no Rio de Janeiro, quando estava de férias. Mandei um amigo gravar, botei no Instagram e aí bombou (risos). O pessoal compartilhou muito, eu comemorei uma vez quando marquei um gol pelo Everton e aí estou até hoje com a dança do pombo (risos). Pretendo fazer ela muitas vezes ainda.”

Quais os seus sonhos para a sequência da carreira?

“Eu sonho em conquistar títulos nos clubes em que estiver e na seleção brasileira. Quero ganhar essa Copa América e também uma Copa do Mundo.”

Tem algo que eu não te perguntei que você gostaria que eu tivesse te perguntado?

“Não. Eu só gostaria que você mandasse um abraço por mim para o Abel (Braga), que foi meu técnico no Fluminense e foi um cara muito especial para mim, que me acolheu, me ajudou muito, me fez crescer. É um cara que eu sempre vou levar no meu coração. Eu sempre vejo jogos do América e do Fluminense. Sempre acompanho eles, coloquei TV brasileira em casa até para isso, para poder acompanhar o Fluminense o América.”

FONTE: Otempo

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